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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Teste do Tiririca


Do Blog de Luis Nassif


O TESTE DO TIRIRICA

O palhaço Tiririca
No teste foi aprovado
Escreveu e leu jornal
E ainda fez um ditado
Mostrando pro promotor
Que não basta ser doutor
Pra se eleger deputado

Depois do palhaço eleito
Com seu registro aprovado
E mostrar que é bom de urna
Por ter sido o mais votado
Um promotor de justiça
Quis afastar o artista
Por não ser muito letrado.

Esse promotor queria
Anular sua votação
E sugeriu ao juiz
Até interpretação
Mas Tiririca escreveu
Interpretou o que leu
E abestado não é não.

Vejo certa simbiose
Entre a justiça e a política
Querem tirar o palhaço
Mas o ficha suja fica
E nesse jogo nojento
Entra o mau elemento
E se tira o Tiririca

A Justiça Eleitoral
Tem agido sem noção
Talvez pra justificar
Quem sabe sua criação
Vez que ela só trabalha
E às vezes mais atrapalha
Na época da eleição.

Ela decretou que o título
Não serve n em pra votar
Só documento com a foto
Na base, "cara" e "crachá"
Imagine um documento
Que a justiça de repente
Proíbe de a gente usar.

Se o palhaço foi eleito
Com enorme votação
E fez a sua campanha
Na base circo sem pão
Como disse o Tiririca
Pior sem ele não fica
Em qualquer situação.


Edmar Melo


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Jô Soares no Prêmio Portugal Telecom



A cerimônia de entrega da oitava edição do Prêmio Portugal Telecom de Literatura, na noite de segunda-feira, é a fofoca do momento no mundo das letras. O assunto principal nem é a vitória de Chico Buarque, com o romance “Leite Derramado”, mas a performance do humorista Soares como mestre de cerimônias da noitada, na Casa Fasano, em São Paulo.

Dez escritores concorriam ao cobiçado prêmio de R$ 100 mil, que também dá R$ 35 mil para o segundo lugar e R$ 15 mil para o terceiro.

A cerimônia foi imaginada nos moldes do programa que o humorista apresenta na televisão, incluindo o seu sexteto musical. ignorou diversas passagens do roteiro preparado para a sua leitura e, improvisando, causou diferentes constrangimentos.

O roteiro previa que apresentasse cada um dos dez autores finalistas do prêmio, fazendo um breve resumo biográfico e da obra que disputava a láurea. Não disse uma linha sequer. Vários dos autores indicados estavam presentes e sequer foram mencionados, O segundo colocado, Rodrigo Lacerda, autor do romance “Outra Vida”, foi praticamente enxotado do palco para a entrada de Chico.

Além de ignorar o roteiro, demonstrou falta de conhecimento literário, como se viu na pouca familiaridade do apresentador com o nome de Armando Freitas Filho, um dos principais poetas brasileiros, terceiro colocado, com “Lar”.

O constrangimento estendeu-se a Pilar del Rio, viúva de José Saramago, o escritor homenageado da noite. recebeu Pilar no palco e, como de hábito, falou mais que a entrevistada, além de transmitir a impressão que era íntimo do autor. Sobre o seu último livro, “As Palavras de Saramago”, distribuído aos convidados, o apresentador disse pouco.

Ao entrevistar Chico Buarque, o grande vencedor, aproveitou para tecer um paralelo entre o trabalho literário do compositor e o seu próprio, além de conversar sobre futebol.

Ao final da cerimônia, Selma Caetano, curadora do prêmio, pediu desculpas aos escritores finalistas. Disse a eles lamentar que o que deveria ser uma festa da literatura tenha se transformado num evento social.

O apresentador “só não destratou o copeiro, porque não havia copeiro”, escreveu o jornalista Roberto Kaz, na “Folha”. “Foi uma coisa realmente grotesca”, resumiu um dos presentes a este blogueiro.

A Portugal Telecom não quer comentar o episódio. Apenas considera que o prêmio está acima deste constrangimento.

domingo, 31 de outubro de 2010

E agora, José?


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!José, para onde?


Carlos Drummond de Andrade